quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Bin Sabbah, o homem que inspirou Bin Laden

O precursor de Osama bin Laden viveu no século XI e criou os comandos suicidas da seita Assassinos, uma ramificação do ismaelismo que atuou no Irã, na Síria e no Iraque.
por Marie Helène Parinaud
Cabul, a capital do Afeganistão, onde se refugia Osama Bin Laden, o mais famoso seguidor de Bin Sabbah
Os seguidores de Bin Sabbah - que se intitulava a sétima encarnação do Imã Ismael - eram homens dispostos a obedecê-lo cegamente, aceitando até mesmo o sacrifício da própria vida.

Eu farei todo o Oriente tremer!"... No dia 4 de setembro de 1090, quando Hassan bin Sabbah Homairi proferiu sua ameaça, acabava de conquistar sua mais importante vitória. A fortaleza de Alamut, que ele cobiçava havia anos, estava em suas mãos, enfim. Essa posição estratégica, chamada de "fortaleza dos abutres", estava no coração das montanhas Elbourz, a 1.800 metros de altitude, no noroeste do Irã.

Dominando três vales férteis, o local era o centro de uma rede de comunicações que conduzia, principalmente, a Teerã. Hassan bin Sabbah usou a mesma operação já testada com sucesso em outras incursões: seus seguidores se misturaram com a população, penetraram na fortaleza e abriram passagem para o seu chefe. Dessa cidadela inexpugnável, que ele não abandonaria durante os 35 anos seguintes e que seus sucessores também usaram como apoio por mais de um século, Bin Sabbah impôs à região sua religião e a lei do terror.


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Revista História Viva

As três vidas de Maomé

O grande profeta do Islã foi um hábil comerciante, um inigualável estrategista e um audacioso político.
por Malek Chebel
Numa miniatura turca do Sya-Al-Nabi (Vida do Profeta), Maomé vive sua ascensão mística, uma viagem noturna aos limites da criação divina. Como guia: o arcanjo Gabriel. Século XVI.
Místico, visionário e guerreiro, Maomé unificou a península arábica em nome do Islã, que, segundo ele, deveria ser difundido aos confins do mundo.

Maomé nasceu órfão no dia 29 de agosto de 570: seu pai morrera pouco antes de seu nascimento. Apesar disso, Maomé desfrutou uma infância alegre no ambiente dos beduínos, sob os cuidados de uma ama-de-leite chamada Halima (literalmente "a doce"), beduína do planalto de Hedjaz. Uma tradição hagiográfica conta que, ainda jovem, enquanto ele guardava os carneiros da família, ocorrera um milagre. Duas aparições luminosas, vestidas inteiramente de branco, aproximaram-se de Maomé e retiraram de seu peito um coágulo de sangue negro que foi atirado para longe.

Narrada pelo Corão, essa história tornou-se uma parábola da purificação divina a que foi submetido o profeta Maomé. Em 576, aos seis anos, acompanhou a mãe, Amina, do árabe "a [mulher] fiel", para Yathrib, atual Medina, onde ela sucumbiu a uma doença. Órfão de pai e mãe aos sete anos, foi acolhido calorosamente por Abd al-Muttalib, seu avô paterno, homem rico e influente, que o amava como a um filho. Chefe do poderoso clã árabe dos coraixitas, ele administrava o templo sagrado de Caaba, em Meca, construído no tempo de Abraão. Assim, Abd al-Muttalib era uma das personalidades mais poderosas da cidade. Idoso, ele morreu pouco depois de acolher o neto, aos 95 anos. O jovem ficava novamente sem proteção. Seu tio paterno, Abu Talib, ofereceu-lhe então a sua casa.

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Revista História Viva

A Tragédia de Desterro

Numa das passagens mais sangrentas e aviltantes da história, a capital de Santa Catarina teve seu nome alterado de Desterro para Florianópolis. Encerrava-se a guerra civil em que a ilha sediou uma república independente, fundada por federalistas e rebeldes da Armada
Desterro no início do século XX, com a Baía Sul à esquerda e Baía Norte, à direita, em tela de Eduardo Dias
Em 16 de abril de 1894 chegava ao fim o revolucionário Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil, que havia se insurgido numa guerra civil contra o governo central do marechal Floriano Peixoto.

Por seis meses, a cidade de Desterro, capital de Santa Catarina, foi sede dessa república independente, formada pela união dos revolucionários federalistas dos três estados do sul do país com os também rebelados militares da Marinha Brasileira. Após a derrota, Desterro seria rebatizada como Florianópolis - em homenagem a Floriano - e dezenas de revoltosos seriam perseguidos, presos e sumariamente executados, em um dos capítulos mais sangrentos da história brasileira.

O episódio decisivo para o fim da revolta foi o combate naval travado na madrugada daquele 16 de abril, entre uma frota de 11 embarcações legalistas e o temido encouraçado Aquidaban. Líder da Revolta da Armada, como era então denominada a Marinha do Brasil, aquela embarcação representava o último elo de resistência contra o governo de Floriano. Passava das 11 horas da noite quando a frota legalista bombardeou a Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim, ao norte da cidade de Desterro.


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Revista História Viva

O vegetarianismo na obra de Voltaire (1762-1778)


Tudo que eles precisam que o discurso, se tivessem, ousamos matá-los e comê-los? ousamos cometer esses fratricida? Que é um bárbaro que poderia assar um cordeiro, este cordeiro se conjurado por um discurso comovente de não ser tanto assassino e anthropophage1? É demasiado certos de que o repugnante carnificina sem spread ... ir para a revista

Renan Larue

Universidade de Picardie-Jules Verne


Original em Francês - revue dix huitieme siecle

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O deserto dos mestiços: o sertão e seus habitantes nos relatos de viagem do início do século XIX


The mestizo desert: the backlands and their inhabitants in travel records from the early 19TH century

Luiz Francisco Albuquerque de Miranda

Professor Doutor - DECIS - Universidade Federal de São João del-Rei - UFSJ - 36.301-160 - São João del-Rei - MG - Brasil. E-mail: lfamirranda@uol.com.br

RESUMO

O artigo analisa as representações do sertão presentes nas obras dos viajantes e naturalistas August de Saint-Hilaire e Johann von Spix & Carl von Martius, que percorreram a América portuguesa no início do século XIX. A investigação restringe-se aos relatos de viagens pelo interior das províncias de São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Os naturalistas, orientados pelos referenciais da cultura européia, esforçaram-se para conhecer e compreender regiões que ainda não eram consideradas civilizadas, mas estavam na fronteira da colonização. O sertão, definido como ambiente bárbaro e desértico, representa um desafio para os cientistas, que projetavam o progresso da sociedade brasileira.

Palavras-chave: Sertão; Civilização; Saint-Hilaire; Spix & Martius.

ABSTRACT

The objective of this paper is to analyze the representations of the backlands in the works by travelers and naturalists August de Saint-Hilaire and Johann von Spix & Carl von Martius, who traveled Portuguese America in the early 19th century. This study exclusively investigates the travel records from trips taken to the interior of the provinces of Sao Paulo, Minas Gerais and Goias. The naturalists, led by European cultural references, strove to recognize and understand the areas which were still not considered civilized and yet were at the frontiers of colonization. The backlands, defined as a barbarian and desertic environment, poses a challenge for the scientists, who projected the progress of Brazilian society.

Keywords: Backland; Civilization; Saint-Hilaire; Spix & Martius.

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Revista de História - UNESP

História e civismo na Roma liviana


History and good citizenship in Livian Rome

Marinalva Vilar de LimaI; Michelly Pereira de Sousa CordãoII

IProfessora Doutora da Unidade Acadêmica de História e Geografia - Centro de Humanidades - Universidade Federal de Campina Grande - UFCG - 58109-900 - Campina Grande - PB - Brasil. E-mail: iramlima@ig.com.br
IIMestranda em História - Professora Substituta - Unidade Acadêmica de História e Geografia - Centro de Humanidades - Universidade Federal de Campina Grande - UFCG - 58109-900 - Campina Grande - PB - Brasil. E-mail: michellycordao@gmail.com

RESUMO

O artigo focaliza a maneira como Tito Lívio (sécs. I a.C. - I d.C.) articula política, civismo e cotidiano em sua Ab urbe condita libri, através da análise das representações sociais que constrói. Discute a noção de história enquanto mimesis de um passado presentificado por Lívio nos primórdios do Império. Apresenta um Lívio construtor de uma memória da sociedade romana que retroage às épocas da realeza e da república romanas. Da ênfase conferida por Lívio a algumas dessas práticas (cerimônias e crenças religiosas, ritos funerários, relações familiares, valores sociais, disputas de poder, etc.), resultou nossa compreensão de que a política constitui o fio articulador de sua escritura. Conceito que em Lívio engloba as práticas cívicas/públicas realizadas pelos cives no espaço da urbs a partir do respeito aos valores da civitas.

Palavras-chave: Historiografia latina; Tito Lívio; História; Exemplum.

ABSTRACT

This article focuses on the way in which Titus Livius (1BC - 1AD) presented politics, good citizenship and everyday life in his Ab urbe condita libri, through an analysis of the social representations that he constructed. It argues the conception of history as a mimesis of a past offered by Livid in the beginnings of the Empire. It presents Livid as a constructor of a memory of the Roman society that modified the times of royalty and of the Roman republic. The emphasis given by Livius to some of these practices (ceremonies and religious beliefs, funeral rites, family relations, social values, power disputes etc.) resulted in our understanding that politics constituted the line of thinking in his writing. It can be assessed that Livius includes civic or public practices exercised by cives in the space of the urbs respecting the values of the civitas.

Keywords: Latin historiography; Titus Livius; History; Exemplum.

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Revista de História - UNESP

Um visitante inglês na Bahia de 1800


A British traveller in Bahia

Jean Marcel Carvalho França1

RESUMO


Apresentamos aqui, precedido de uma introdução explicativa, o fragmento de uma narrativa de viagem relativa ao Brasil, escrita pelo comerciante inglês John Turnbull em 1805, intitulada A Voyage round the world in the years 1800, 1801, 1802, 1803 and 1804. Turnbull aportou na Baía de Todos os Santos em agosto de 1800, permanecendo quatro ou cinco dias na cidade. Apesar da brevidade da visita, suas impressões sobre o Brasil trazem, entre outras coisas, curiosas notas sobre a situação de Portugal e de sua rica colônia dos trópicos no então conturbado cenário político europeu.

Palavras-chave: Salvador; navegações; viajantes britânicos.

ABSTRACT

In 1805 the British traveller John Turnbull published A Voyage round the world in the years 1800, 1801, 1802, 1803, and 1804. In his diary Turnbull describes the environment he found in several places he visited during his journey, including Baía de Todos os Santos, where he stayed for five days in August, 1800. What follows is a fragment of Turnbull’s journal — with an explanatory introduction — in which he presents his impressions about Brazil and it’s relationship with Portugal during those years.

Keywords: Salvador; navigation; British travellers.

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Revista de História - UNESP